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Secretária de Saúde de Mogi Guaçu explica: “de hoje até 20 de abril, é o período crucial para frear a pandemia no país. Então, vamos todos fazer a nossa parte!”

Na Baixa Mogiana, Itapira registrou nessa manhã, o segundo óbito na cidade causado pela doença e Mogi Guaçu confirmou a primeira morte na noite de ontem, 7 de abril; Brasil registra 14.152 infectados e 700 mortos

Na região da Baixa Mogiana os dados do novo coronavírus têm Itapira como a cidade com um estágio mais avançado e preocupante da doença, com 2 mortes confirmadas, sendo a segunda registrada na manhã desta quarta-feira, 08 de abril, e ainda, 65 casos notificados, 31 suspeitos, 11 confirmados e 05 pessoas internadas.

Por causa destes números, o prefeito de Itapira, José Natalino Paganini, decretou na noite de terça-feira, 07 de abril, ‘toque de recolher’ em todo o município como medida para conter o avanço da doença. A medida passa a valer nesta quarta-feira, 08 de abril, e proíbe o trânsito de pessoas nas praças e vias públicas entre 21h e 6h até o dia 22 de abril. Entretanto, essa medida pode ser encarada como inconstitucional do ponto de vista jurídico.

Na noite de ontem, Mogi Guaçu registrou o primeiro óbito por coronavírus e tem também 60 casos notificados, 41 suspeitos, 17 negativos, 1 óbito suspeito sob investigação e 6 pessoas internadas em hospitais da cidade,

Na vizinha Mogi Mirim, os números apontam 53 notificações, 41 casos suspeitos, 1 confirmado, 11 descartados e 2 mortes suspeitas aguardando resultados.

Fique em Casa
Em meio à uma das crises sanitárias mais agudas da história, sendo comparada a outras epidemias que marcaram a humanidade, como peste negra, varíola e gripe suína, a população brasileira vem tentando se adaptar às novas regras de comportamento ditadas pela OMS [Organização Mundial de Saúde].

A preocupação com a aglomeração é uma das principais situações de se lidar em Mogi Guaçu no momento. “Sempre é ‘repetido’ e ‘pedido’ que as pessoas Fiquem em Casa”, comenta a secretária de Saúde, Clara Alice Franco de Almeida Carvalho, 64.

No entanto, na última segunda-feira, 06 de abril, no centro da cidade muitas pessoas circulavam normalmente e até sem os devidos acessórios de proteção [máscaras e luvas]; pessoas em filas enormes em bancos; e muitas famílias: pais e mães e com filhos comprando Ovos de Páscoa.

“A maior dificuldade de fazer a população ‘entender’ que essa medida de ficar em casa é necessária para se combater a doença no município. Estamos com Guarda Municipal e Polícia Militar nas ruas, mas tem sido bem desgastante. Fecha hoje, amanhã abre novamente”.

Crédito: André Pelegrino

E ainda que “a população interpreta de uma forma imediatista a notícia da ajuda de custo do governo federal e está indo à porta dos bancos para realizar o saque.As famílias estão indo passear no mercado com crianças e idosos. O presidente Jair Bolsonaro confunde a compreensão da população”.

Considerando a escalada exponencial da Covid-19, a Administração Municipal teve que implementar medidas para conter a propagação do vírus como a prorrogação do isolamento social de acordo com as orientações do decreto estadual de manter a quarentena, seguindo suspensas as atividades comerciais, exceto aquelas ligadas a serviços essenciais e os que atenderem na casa do cliente.

“Pelo decreto municipal fica estabelecido as providências no plano de enfrentamento ao coronavírus. Portanto, prorrogada, até 22 de abril, a suspensão das atividades comerciais de lojas de roupas, bares, restaurantes, academias, ambulantes, bem como ficam suspensas a entrada de hóspedes na rede hoteleira local”.

Porém, para se fazer cumprir essa regra, pelo decreto municipal não prevê nenhuma punição para quem desobedecer a lei. “Mas a fiscalização será realizada pela Guarda Municipal e Polícia Militar que podem agir”.

Crédito: André Pelegrino

Segundo a secretária, mesmo assim, muitos comércios considerados não essenciais já estão burlando o decreto municipal e que a melhor providência que a população pode tomar é se manifestar. “Denúncias devem ser feitas para a Guarda Municipal e Polícia Militar, para que desempenhem sua obrigação, fazer fechar”.


“Infelizmente, acredito que o entendimento ocorrerá a medida
que os casos se tornarem próximo à realidade de cada um.
Temos pedido o tempo todo “Fique em Casa”

O isolamento social que começou há mais de 15 dias na cidade tem mostrado que a medida tomada foi a correta, pois os atendimentos na rede pública de saúde em Mogi Guaçu durante essa fase e até o momento estão sobre controle. “Neste momento não estamos sobrecarregados e assim pretendemos continuar, pois se estourar o número de casos não teremos leitos, nem vagas em UTI [Unidade de Terapia Intensiva] suficientes para todos”.

Danos
Em 11 de março de 2020, a OMS [Organização Mundial da Saúde] caracterizou oficialmente o novo coronavírus como uma pandemia, elevando a emergência de saúde ao seu nível mais alto e acarretando consequências em diversos setores da economia.

Combater a doença sem afetar a economia é totalmente difícil e complicado, então, como conciliar o combate à doença, a proteção das pessoas e minimizar danos à economia?

“Neste momento, só pensamos em poupar vidas, a economia é uma preocupação dos setores da administração pública. Se mesmo dizendo ‘Fique em Casa’, temos visto vários comerciantes e pessoas desobedecendo as orientações, imagine se baixarmos a guarda, como será? Ficaremos como a Itália, a Espanha, Inglaterra e Estados Unidos?”.

Clara Carvalho conta que “após o dia 22 de abril, o prefeito Walter Caveanha reavaliará a situação dos comerciantes e empresários que estão com as suas atividades suspensas por hora, como os demais prefeitos da região e com as equipes COE’s [Comissão de Operação Emergencial] de cada município, para discutirem como conduzir a partir dessa data, além de aguardar a posição do governador de São Paulo, João Dória”.

Serviços
O expediente nas repartições públicas permanece em sistema de rodízio às segundas, quartas e sextas, reduzindo em 50% o quadro de servidores presentes no mesmo ambiente de trabalho. “Os procedimentos administrativos internos permanecem suspensos até o dia 22 de abril, exceto a rede de saúde, HMTR [Hospital Municipal ‘Tabajara Ramos’], Guarda Municipal, coleta de lixo e tratamento de água”, finaliza.


Pelo mundo
Desde que foi identificado na província de Wuhan [China], em dezembro de 2019, a expansão do novo coronavírus [Covid-19] pelo mundo soma números assustadores chegando a 1.446.242 de casos e 83.424 mortes. No Brasil, até manhã desta quarta-feira, 08 de abril, as secretarias estaduais de saúde contabilizavam 14.152 infectados em todos os estados e 700 mortos.

O Ministério da Saúde informou nesta terça-feira, 07 de abril, que o estado de São Paulo chegou a 371 mortes por coronavírus. São 67 mortes a mais que registrado no boletim divulgado na segunda-feira, 06 de abril. Os casos confirmados da doença no estado chegaram a 5.682 pessoas.

O governo de São Paulo estima que cerca de 1.300 mortes pelo novo coronavírus devem ocorrer no estado até a próxima segunda-feira, 13 de abril. Sem a adoção de medidas de isolamento social, como a suspensão de aulas e a recomendação de que a população fique em casa, o cenário previsto seria de 5 mil mortes no estado até a mesma data.

Para os próximos seis meses, a estimativa é de 111 mil mortes em São Paulo com a adoção das medidas já implementadas no estado, contra 277 mil mortes caso as restrições não fossem adotadas e essas estimativas preocupam muito a comunidade médica.

Com informações da Secretaria de Comunicação Social de Mogi Guaçu e Mídia Press

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Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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