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Sentimentos e emoções no universo infantil

Quem já assistiu ao filme Divertida Mente?

Se não, vai aqui uma sugestão: corre pegar o balde de pipoca e convide as crianças para a hora do cinema!  Afinal, quem já assistiu, sabe que a história retrata a importância de identificarmos nossos sentimentos e emoções.

Por meio do enredo é possível compreender os conflitos vivenciados por Riley, uma garota de 11 anos, que ao se mudar para uma nova cidade fica confusa diante da raiva, alegria, tristeza, medo e nojo, mas que, aos poucos vai percebendo a importância de cada emoção e a necessidade de aprender a lidar com elas.

Uma das lições do filme é o conceito de nomear e conversar sobre os sentimentos desde muito cedo. Sabemos que a habilidade para discriminar diferentes emoções, a partir das expressões faciais, é algo que se desenvolve precocemente. Existem estudos que apontam que aos quatro meses os bebês já são capazes de discriminar expressões de raiva e felicidade e demonstram preferência por emoções positivas.

Crianças pequenas, que ainda estão adquirindo a capacidade de se comunicar, simplesmente sentem… e seu corpo pode reagir a tais sensações com gritos, birras, agitação, entre outras ações, muitas vezes não compreendidas. Nesse momento, o papel do adulto é fundamental para nomear aquilo que a criança ainda não tem capacidade de nomear por si mesma.

Assim, se ela chora, pode-se dizer os motivos que a fizeram chorar e ajudá-la a entender se o choro é de raiva, medo, dor ou mesmo de alegria. As palavras podem ressignificar e transformar o que sentimos e, assim, podemos aprender a lidar melhor com nossas emoções.

Habilidades referentes ao processamento de emoções básicas, tais quais são citadas no filme, são desenvolvidas desde os primeiros meses de vida, enquanto as emoções mais complexas, necessárias para diferentes situações sociais, como a culpa, vergonha, orgulho, ciúmes… estão associadas aos processos de aprendizagem e socialização.

Por exemplo, quando uma criança bate em seu irmão porque provavelmente está com ciúmes, os pais podem nomear o que ela sentiu, ou seja, ajudá-la a compreender qual sentimento foi expressado naquela emoção e ressaltar que é uma reação normal e pode ser aceita, mas também, deve colocar o limite para que a mesma seja manifestada de outra forma e não com agressão física.

Esse aprendizado é um processo lento e não ordenado, que ocorre ao longo da vida. Amadurecemos e nos conhecemos melhor quando refletimos sobre as experiências que vivemos. Sendo assim, é necessário ouvir as crianças e adolescentes em suas angústias, medos ou quando estão com raiva e agem agressivamente.

Ao falar sobre nossos sentimentos e ser ouvido legitima-se a experiência e o aprendizado, tornando mais fácil o gesto de compartilhar e ser empático com os sentimentos do outro.  Podemos, desde muito jovens, praticar um conceito explorado nas Terapias Colaborativas e Narrativas que é o da:

Escuta Generosa – ouvir para compreender. É preciso escutar com atenção e respeito, assim o relacionamento familiar pode ser fortalecido e também todas as demais relações sociais que estão inseridos.

O filme Divertida Mente pode ser uma ótima oportunidade para conversar sobre o tema e ajudar as crianças sobre a importância de compreender suas emoções.  Um dos objetivos da Psicoterapia Infantil também é este, compreender o que as crianças e adolescentes estão vivendo, sentindo e ajudá-los a ressignificar as experiências, superar suas dificuldades e tornar-se resilientes.

Ao aprender sobre como ajudar nossas crianças, seguimos o exemplo de um grande escritor e estudioso que sempre valorizou os pequenos:

“Quando olho uma criança ela me inspira dois sentimentos. Ternura pelo que é, e respeito pelo que possa ser”
Jean Piaget [1896-1980]

Pensando na importância deste tema, traremos para Mogi Mirim e região o curso ‘Cognição Social e Habilidades Socioemocionais na Infância’. O objetivo será compreender os conceitos e conhecer formas de intervir durante a infância que ajude nossas crianças nesse processo de autoconhecimento e bem-estar social.

Para saber mais informações entre no Facebook da Clínica Bem-Estar.

Deixo o meu carinho e respeito a todas as crianças e adolescentes que fazem dos meus dias, dias mais felizes, de muito aprendizado e troca.

GRATIDÃO!!!

FELIZ E ABENÇOADO DIA DAS CRIANÇAS!

Bibliografia
DIAS N.M., MeccaT.P. Contribuições da Neuropsicologia e da Psicologia para Intervenção no Contexto Educacional. São Paulo: Memnon, 2015.

Adriana Pereira Rosa Silva CRP 06-76446 Psicóloga Clínica, terapeuta infantil e familiar, pós-graduada em Psicopedagogia [Puccamp], pós-graduada PUC/SP em Terapia Familiar e de Casal [Puc/SP] e graduanda no curso de Neuropsicologia do Instituto de Neurologia do HC/USP.  Ministra palestras e cursos para pais, educadores e psicólogos.

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Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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