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Ser mulher, mãe e seus desafios

A comemoração do Dia das Mães está se aproximando e como mulher e mãe me inspirando
nesta data, pude resgatar lembranças de momentos únicos e inesquecíveis, de muito afeto e
satisfação. Contudo, também me recordo de momentos de dificuldade, insegurança e medo,
entre outros sentimentos.

Convido você querido leitor a refletir sobre alguns desafios que acompanham a aventura de
ser mulher e mãe e a pensar se esses desafios mudaram? Como era ser mulher e mãe na época
de nossas avós e como é hoje?

Neste artigo, irei me ater a alguns desafios da mulher na vida contemporânea.

Até a década de 70, esperava-se socialmente que as mulheres fossem boas mães e esposas e
cabia a elas a administração do lar, dedicação ao marido e os cuidados com os filhos.
É importante salientar que há dados que mostram que algumas mulheres desta geração também
trabalhavam fora do lar e, principalmente, aquelas pertencentes às classes menos favorecidas.
Na atualidade, algumas mulheres continuam desempenhando esses mesmos papéis: de mãe,
esposa e dona de casa. Entretanto, ao longo da história, conquistaram alguns direitos
reconhecidos, como por exemplo, o direito de votar, estudar e, consequentemente, de escolher
uma carreira e ter uma profissão.
Assim, com o advento da pílula anticoncepcional a mulher pode optar sobre ser ou não mãe e
as que escolheram a maternidade irão se aventurar em um universo lindo e especial, mas que
também é recheado de muitos desafios e sentimentos.
A mulher moderna tem o desejo de ser uma boa mãe, de acertar e equilibrar afeto, cuidado e
limite. Muitas mães se sentem inseguras quanto ao modo de agir, sentem culpa e anseiam por
uma receita pronta para lidar com seus filhos, de modo que cresçam saudáveis e felizes. Estes
sentimentos de insegurança e culpa não são experimentados apenas pelas mães que exercem
uma atividade profissional, também são vivenciados pelas mulheres que optaram em dedicar-
se exclusivamente a maternidade e aos afazeres do lar.
Winnicott [1982] nos tranquiliza quando afirma que quando nasce uma criança, nasce uma
mãe, que irá se desenvolver e amadurecer neste novo papel social, o qual requer investimento
de tempo, afeto e de presença e assim resultará em uma mãe suficientemente boa e não
necessariamente perfeita.
A escolha de ser mãe e ter outras atividades, seja ela profissional ou não, implica em assumir
muitas responsabilidades e para conciliar estas tarefas se faz necessário não somente
organização e uma rotina estruturada, mas também a definição de prioridades.
Karnal [2015] em uma de suas palestras sobre autoconhecimento, fala da importância de
priorizar e avaliar as tarefas como urgentes, não urgentes e cotidianas e também sobre a
importância do planejamento. O planejamento é fundamental, uma vez que, o tempo que o
indivíduo dedica a cada ação é uma decisão particular, é uma escolha.
A mulher moderna para poder se exercer com menos sofrimento, necessita olhar para si, para
seus limites e se sentir mais a vontade para ser auxiliada, como por exemplo, pelo
companheiro com a participação deste na educação dos filhos, no apoio financeiro e tarefas
domésticas ou por uma rede de apoio familiar e/ou uma rede externa para ser ajudada nas suas
necessidades.

No entanto, para ser mãe e exercer outros papéis, se faz necessário vivenciar esses desafios,
acompanhado de seus prazeres e também desprazeres, entendendo que, nos dias atuais, outro
desafio relevante é a tarefa de estar inteiro, junto de fato, não apenas de corpo presente, para
poder usufruir da vida e da companhia de pessoas importantes que fazem a diferença, como os
filhos.

Desejo às mulheres que são mães, sejam elas biológicas ou de coração,
as que escolheram e as que foram escolhidas, um Feliz Dia das Mães!

Referências:
KARNAL, L. Dez ideias para administrar o tempo e estratégia 01/10/2015. Disponível em
https://www.youtube.com/watch?v=t2oNMU6MEow Acesso 01/05/2018.
KARNAL, L. Atitudes que fazem a diferença 29/072017. Disponível em
https://www.youtube.com/watch?v=t2QVddGWn-o Acesso 01/05/2018.
ZAGURY, T. Educar sem culpa: a gênese da ética. 23 edição. Rio de Janeiro: Record, 2006.
WINNICOTT, D. A criança e o seu mundo. Sexta edição. Rio de Janeiro: Editora LTC, 1982.
Patrícia Galo Firmino – Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual. Especialista em
Aconselhamento Cristão e é pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior, Pós-Graduanda em
Terapia Familiar e de Casal pela UNIFESP. Ministra palestras e cursos para pais e educadores.

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Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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1 thought on “Ser mulher, mãe e seus desafios”

  1. Ser mulher não é tarefa fácil, mas é mto.gratificante, pois vive mtas. emoções. Ser mãe é ser guerreira! Pois é dona de casa, psicóloga, orintadora, pedagoga, professora, assistente social, etc!!!!!!!! Nunca descansa, pois pensa no bem estar dos filhos desde a gestação até a morte. A maioria são as que mais cuidam dos pais na velhice. Ser mulher é desafiador, por isso que diz ” Deus fez o Homem, mas precisava fazer um alicerce para sustentar a humanidade, então fez a mulher.

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