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Sobre perdoar

“Perdoar não consiste necessariamente em reintegrar o outro em nossa vida, mas sim fazer a faxina emocional pelos danos causados”.

A frase acima de padre Fabio de Melo me tocou intensamente. Ao longo de nossas vidas é natural que tenhamos sido maltratados, traídos por pessoas nas quais confiávamos, machucados por alguns amores mal correspondidos, criticados por atitudes onde nossa intenção era a melhor, todavia, mal compreendida.

Cada um de nós tem guardado dentro de si, algum fato que tenha causado mágoa, tristeza e até revolta. Seria impossível viver uma vida e não amargar decepções; faz parte!

O importante do pensamento inicial é que dentro dele vejo uma interpretação inteligente de uma pessoa caridosa e emocionalmente equilibrada, a qual leva muitíssimo bem a mensagem de Deus a cada um de nós!

Um indivíduo bondoso nos mostrando que temos o direito de separar alguém de nosso convívio e, ainda, entender que minimizar o dano é necessário.

O pensamento não traz rancor ou qualquer sentimento negativo, mas sim verdade.

Não nos transformaremos em uma pessoa ruim por não esquecer alguém que nos fez algum mal, tampouco nos igualaremos a ela por não esquecer o acontecido, ao contrário, estaremos evoluindo nossa mente e nosso espírito ao perdoar mesmo não apagando de nossas mentes o fato que nos desapontou.

Entender que quando alguém nos fere, intencionalmente ou não, faz-se necessário a reflexão e, é este um momento especial para reavaliarmos atitudes. Temos desta forma, a oportunidade de entender os por quês das atitudes, temos a oportunidade de mudar algo dentro de nós.

Jamais vi na ofensa sofrida motivo de raiva ou revolta, tampouco vi razões para retribuir, apenas aceitar.

Ao aceitar, como disse, estamos iniciando a mudança necessária. Mudança na maneira de considerar alguém que nos foi infiel, mudança na maneira de absorver fatos inusitados e desagradáveis ao nosso viver. Reestruturamos assim, o lugar de cada um dentro de nós.

O tempo cuida disto sem dúvida alguma.

O importante do pensamento inicial, dito por alguém caridoso, torno a repetir, é a intenção em perdoar, desculpar o próximo, mesmo neste momento de dor.

Saber perdoar é uma arte!

Ao perdoar, entendo eu, abrimos caminho para o autoconhecimento e criamos a oportunidade de usar aquele momento e aquela atitude, a nosso favor.

Diversas vezes, ao ser magoado, entendi que o outro na verdade, não me era próximo, não era quem eu julgava que fosse e, desta forma, sua distância já existia. Afastá-lo de minha vida era somente uma necessidade!

A faxina referida pelo padre é necessária.

Avaliar os porquês é uma atitude saudável que nos transforma e nos leva ao crescimento

emocional, o qual, nos trará a experiência necessária para aprender com as decepções.

Acreditem, a faxina emocional traz benefícios enormes em nossas vidas!

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João Conrado Bueno dos Reis

João Conrado Bueno dos Reis é graduado em Medicina pela Fundação Lusíadas de Santos, com Residência em Cirurgia no Hospital Guilherme Álvaro em Santos. Especializou-se em Endoscopia Digestiva pelo Hospital Sírio e Libanês e é membro da Sobed [Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva]. Em Mogi Guaçu, é proprietário da Clínica Endogastro, sócio do serviço de Endoscopia do Hospital São Francisco e médico endoscopista da Santa Casa de Misericórdia. É casado com Leoneth Darcadia dos Reis tem dois filhos, Thiago e Thomas.

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