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TDAH, a família pode ajudar

Há um ano escrevi sobre o TDAH [Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade] no adulto e, neste artigo, vou escrever sobre o impacto deste transtorno na família, bem como, propor ações que podem ajudar crianças e adolescentes a lidar com esta dificuldade e desenvolver recursos de modo que se superem.

Acredito que nos contextos onde existem pessoas com TDAH ou com outras dificuldades, o conhecimento e a ação são atitudesque fazem a diferença e, por este motivo, iniciarei definindo o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

De acordo com DSM V [Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais, 5ª Edição – da Associação Americana de Psiquiatria], o TDAH é um transtorno que é caracterizado por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade.

Outra definição que reforça esses conceitos é a de Mattos [2014], o qual  afirma que o TDAH  na infância não é resultado de uma ‘má educação’ ou ‘falta de limite’, mas sim, de um transtorno neurobiológico, onde ocorre uma disfunção química cerebral, que tem como consequência alterações funcionais em determinadas regiões do cérebro, que provocam reações comportamentais fora do esperado ou desejado.

Os estudos comprovam que o TDAH é um transtorno neurobiológicoe multifatorial, bastante comum, de alta freqüência e apresenta um grande impacto na vida do indivíduo.Ele se inicia na infância, se mantém na adolescência e na maioria dos casos permanece até a idade adulta. O TDAH pode interferir nos diversos setores da vida do indivíduo, desde o seu desenvolvimento psíquico até a sua memória, nas relações familiares, sociais, escolares e inclusive na sua autoestima.

Muitas pessoas por não conhecerem o TDAH,olham as crianças com o transtorno com maus olhos e as veem como crianças mal-educadas, sem limites, intrometidas, preguiçosas, entre outros adjetivos que podem prejudicar o relacionamento social e mesmo a motivação para a aprendizagem.

Percebo na minha prática clínica, famílias com dificuldades com os comportamentos que os portadores do transtorno apresentam e por este motivo, muitas se sentem culpadas e se perguntamem que falharam ou estão errando.

Penso que é fundamental a família procurar aprender sobre o que é o TDAH, suas causas, sintomas, manifestações, sendo assim,se inteirar do tema, saber como se apresenta em diferentes situações do dia a dia.

Outro ponto importante, é buscar ajuda especializada, ou seja, possibilidades de tratamento de acordo com as dificuldades apresentadas, até porque, o TDAH pode ser de causa hereditária e muitos pais de criançase adolescentes com TDAH é portador do transtorno e desconhece.

Acredito que um diagnóstico precoce e intervenções eficientes, podem mudar a vida da criança e do adolescente com TDAH, bem como de sua família, pois toda pessoa é capaz de se superar e desenvolver suas potencialidades.

Seguem algumas dicas de como a família pode ajudar:
•Mantenha a calma;
•Elogie e reforce o que há de melhor na criança;
•Ao falar toque na criança e olhe nos olhos;
•Estabeleça regras e limites – com consequências positivas e negativas –;
•Procure conversar sempre com a criança sobre como ela está se sentindo;
•Ordens claras, objetivas e diretas [evite comandos múltiplos] – muito comum em crianças que ficam com familiares –;
•Estabeleça uma rotina diária clara e consistente: hora de acordar, de almoçar, de jantar e dever de casa, por exemplo;
•Estimule a organização [uso de agenda, planos de ação e cronograma de atividades];
•Não enfatize o fracasso ou compare com o desempenho de outros;
•Ensine a criança meios para lidar com situações de conflito [pensar, raciocinar, pedir ajuda de um adulto por exemplo, esperar sua vez];
•Diga exatamente o que você espera dela;
•Cobre esforço, resultados são consequências;
•Não exija mais do que a criança pode dar, deve-se considerar a idade;
•Não espere perfeição.

O fato é que tem muito a ser dito sobre o TDAH e como a família pode ajudar, contudo, acredito que as intervenções descritas podem fazer toda a diferença na vida da criança e/ou adolescentee na dinâmica familiar.

Gostaria de enfatizar a importância do reforço positivo, uma vez que essas crianças e adolescentes se atrapalham em desenvolver tarefas rotineiras e, desta forma, são muito criticadas. Assim, é preciso considerar e reconhecer quando estão progredindo, sempre encorajá-los estimulando e dizendo que vale a pena o esforço, que eles não estão sozinhos, que são uma equipe, disposta a celebrar as vitórias e pensar em estratégias de superação quando necessário.

Um abraço!

Referências
ARRUDA, M. Levados da Breca.Blanche Ricci. Ribeirão Preto, 2006.
DSM-5.: American Psychiatric Association,DSM-IV-TRTM – Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Revisão técnica Aristides Volpato Cordiolo trad. Maria Inês Correa Nascimento; 5.Edição. Artmed, Porto Alegre,2014.
MATTOS, P. No mundo da Lua – Perguntas e respostas sobre o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade em crianças, adolescentes e adultos. ABDA, 15 Edição. Brasil, 2014.

Patrícia Galo Firmino – Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual. Pós-Graduanda em Terapia Familiar e de Casal pela UNIFESP, Especialista em Aconselhamento Cristão e é pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior. Ministra palestras e cursos para pais, educadores e profissionais.

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Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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