Quarta-feira , 22 Novembro 2017
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TDAH NO ADULTO, SERÁ?

Foto: Otávio Bueno

Algumas expressões são corriqueiras quando nos deparamos com crianças um pouco mais agitadas do que as demais. Algumas parecem estar a mil por hora, outras no mundo da lua,  demonstram inquietude, impulsividade, não pensam para falar e muitas vezes apresentam dificuldade de organização e desatenção. Essas são algumas das características mais comuns em crianças e adolescentes que podem apresentar o quadro denominado como TDAH [Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade].

Até pouco tempo, tínhamos o conhecimento científico de que apenas crianças e adolescentes poderiam ter o TDAH e que os sintomas deste transtorno desapareceriam após a adolescência, ou seja, ninguém chegaria a idade adulta com este diagnóstico.

Isso não é real, este transtorno pode persistir na idade adulta.

Afinal, você conhece alguém que é desorganizado financeiramente ou é distraído, atrasa pagamentos porque esquece das datas de vencimento, toma decisões impulsivamente, perde chaves e/ou faz comentários sem pensar….

Destaco que o TDAH não é consequência de falta de limites ou um ‘defeito’ de caráter, mas trata-se de uma transtorno neurobiológico, uma disfunção química cerebral, que tem como consequência algumas alterações funcionais em determinadas áreas do cérebro que normalmente provocam reações comportamentais fora do que é esperado e desejado.

Neste artigo sobre o ‘TDAH no Adulto’ pretendo contribuir com informações, uma vez que muitas pessoas desconhecem o que é, e como manifesta-se na vida adulta, bem como propor possibilidades de apoio para amenizar os sintomas do transtorno para uma melhor qualidade de vida.

Arruda [2006] define o TDAH como um transtorno mental que é crônico,   multifatorial, neurobiológico,  com alta incidência e que acarreta um grande impacto na vida do indivíduo, bem como nas suas relações  familiares, profissionais e sociais.

Os principais sintomas são dificuldade de atenção, hiperatividade e impulsividade, porém, é interessante destacar que no adulto os sintomas de hiperatividade e impulsividade tendem a melhorar, no entanto,   a desatenção permanece ou pode ser aumentada e, deste modo, a maioria  dos indivíduos apresentam quadros variáveis de disfunção executiva, como dificuldade de  se planejar,  organizar, administrar o tempo, lembrar datas, compromissos importantes, entre outras.

Hoje, sabemos que o TDAH não desenvolve-se frente a fatores culturais, ambientais ou a dificuldades emocionais. Estudos comprovam que é consequência de pequenas alterações na região frontal do cérebro, responsável pela inibição do comportamento e do controle da atenção e é um distúrbio reconhecido pela OMS [Organizaçao Mundial de Saúde].

Os adultos que possuem esta dificuldade normalmente sentem-se limitados, pois não conseguem desenvolver todo o seu potencial, o que acarreta uma baixa autoestima, sentimentos de fracasso, insegurança, inferioridade, impotência e incompetência e, assim, outras condições como depressão, ansiedade, transtornos de contuda, problemas com álcool e drogas, costumam ser frequentes em mais da metade dos adultos com TDAH, e são caracterizadas como comorbidades.

O TDAH no adulto pode ser uma continuação do TDAH da infância, o que pode acarretar sérias consequências, quando o indivíduo cresce sendo criticado, rotulado e  apresentando uma auto imagem negativa.

Mas o que ajuda a melhorar?

Um dado real e importante e que ajuda muito a vida do indivíduo é o diagnóstico precoce, correto e adequado.

Conhecer o transtorno é uma ferramenta que ajuda a lidar com ele e tratar os sintomas das comorbidades, que em geral acompanham adultos com TDAH faz toda a diferença. As intervenções medicamentosas, quando indicadas, podem ajudar o indivíduo a se concentrar, a perseverar, a melhorar a administração de seu tempo e resisitir as  distrações que o desviam daquilo que deseja e necessita fazer, possibilitando que os portadores possam desenvolver recursos satisfatórios para lidar com os sintomas.

A psicoterapia é fundamental para trabalhar o autoconhecimento, bem como desenvolver estratégias de enfrentamento que enfatize os pontos fortes, compensando os pontos fracos e desenvolvendo habilidades que  impulsionarão o sucesso de suas atitudes.

Esta parceria entre psicoterapia e quando necessário medicação poderá contribuir para uma melhora significativa e uma vida bem sucedida, uma vez que a pessoa se fortalecerá e consequentemente haverá melhora na autoestima, na autoimagem, nas relaçoes interpessoais e familiares.

Ainda há muito a ser dito sobre o TDAH no adulto, porém, não é objetivo deste artigo aprofundar o tema, mas despertar o interesse para busca de novas informações e desmistificar alguns mitos sobre a temática.

Desejo que os adultos que possuem TDAH, possam se superar a cada dia, pois tudo é possível ao que crê e esforça-se neste propósito para uma vida melhor.

*Em outubro próximo, a equipe da ‘Clínica Bem – Estar’ estará abordando mais sobre o tema em um encontro online. Acompanhe a divulgação pelo nosso Facebook: Clínica Bem- Estar. Até lá!

Um fortre abraço.

Referências

ARRUDA, M. Levados da Breca. Blanche Ricci. Ribeirão Preto, 2006.

BARKLEY, R. Vencendo o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade Adulto. Artmed, Porto Alegre, 2011.

MATTOS, P. No mundo da Lua – Perguntas e respostas sobre o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade em crianças, adolescentes e adultos. ABDA, 15 Edição. Brasil, 2014.

Patrícia Galo Firmino – Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual. Especialista em violência doméstica contra criança e adolescente e é pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior. Ministra palestras e cursos para pais e educadores.

Sobre Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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