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“Tenho amiga que jogou e é uma pessoa muito amada. Mas entendi porque”, conta adolescente

Fotos: Arquivo Pessoal

Pedro Savacini, 16, já tinha conhecimento do jogo da Baleia Azul há mais de um ano. “A primeira vez que ouvi sobre o jogo foi em grupo do k-pop pelo Whatapp, que tem pessoas de várias partes do Brasil, no qual mandaram notícias falando sobre o Baleia Azul, mas no sentido de alerta e cuidado. Depois vi reportagens sobre casos de pessoas que participaram”, comenta.

Ele nunca recebeu convite para participar do jogo e caso o receba, sabe muito bem o que fazer. “Não irei apenas não aceitar, como bloquear o contato”.

Na opinião do adolescente, o jogo da Baleia Azul não tem como objetivo fazer com que as pessoas se matem, mas sim, encorajar as pessoas que já querem tirar a vida por diversos motivos a cometerem o suicídio.

“Tenho amigas que jogaram. Entre elas, há uma que tem vários amigos e é muito querida pelo nosso grupo. Ela sempre ajuda quem precisa e também sempre procura ajuda quando necessita.  Conversamos muito, e embora, nos vemos pessoalmente poucas vezes, temos uma amizade muito grande, mesmo sendo virtual”.

Diz que tendo em vista o que a amiga passou, ele percebeu que a garota não fez isso por não se sentir amada ou por não ter amigos, mas por falta de não ter alguém perto dela fisicamente.

“Não ter atenção pessoal e como a maioria dos amigos moram longe, isso se tornou algo ainda mais complicado: a vontade de estar com os amigos, mas não conseguir. Algumas pessoas chegam ao ponto de acreditar ser mais fácil acabar com tudo, do que encarar as coisas. Isso pelo sofrimento que estão passando. Perde-se a vontade de continuar vivo, pois a vida a está machucando”.
No mundo dos egos ‘inflados’, Pedro Savacini destaca que existem os casos de insensibilidade, onde o ser humano não se preocupa com o próximo. “Por mais que os outros tentem ajudá-la, demonstrem amor, a pessoa em sofrimento não se sente compreendida, porque acredita que ninguém entendem o que ela realmente está passando”.

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Pedro Savacini comenta que a sociedade tem grande culpa nos desdobramentos do Baleia Azul. “Depois do que vi, das histórias de vida que eu conheci, de ver a situação de algumas pessoas, posso dizer sim, que a sociedade tem responsabilidade nisso tudo”.

Segundo o jovem, hoje as pessoas querem ser elas mesmas e o que são. “Cada um veste-se como gosta, têm os cabelos com o seu estilo e ouvem as músicas que acham legais. Ou seja, as pessoas querem ser belas para si próprias e não belas os olhos da sociedade”.

Também que “as pessoas tem o total direito de não gostarem do estilo de uma pessoa e de falar do que não gostam. Porém, ninguém tem o direito de desrespeitar o gosto de outra. E, nesse tempo, é exatamente o que acontece. As pessoas não conseguem respeitar o gosto das outras, pois acham algo ridículo nelas. Assim, essas pessoas se sentem no direito de criticar. Isso se dá porque a sociedade tem um padrão a ser seguido e se você não se encaixar neste padrão, você é alvo de crítica, de deboche”.

Bulling

A adolescente já sofreu bulling, porém, encarou os agressores e seguiu em frente. “Ser gordo, magro ou se vestir diferente são coisas que algumas pessoas não conseguem aceitar. E ao verem o que não aceitam, passam a criticar e expor o próximo”.

Pais

Os pais do adolescente, José Aparecido Savacini, 45, e Lucinéia Savacini, 44, acreditam que o melhor caminho para estar sempre próximos dos filhos é o diálogo. “Conversar abertamente e escutar o que os filhos pensam sobre qualquer assunto é essencial nos dias de hoje e na convivência familiar”.

O casal tem mais dois filhos: Maria Isabela, 12, e Davi, 07. Católicos, José e Lucinéia educam os filhos dentro da fé cristã, mas sempre em contra ponto com a realidade atual.

“Em casa, mostramos Jesus Cristo para os três. Seu amor e sua misericórdia na vida deles e na nossa vida”.

Para isso, dão exemplos concretos. “Ensinamos que há tantas pessoas com a idade de cada um deles, que estão em tantos hospitais lutando pela vida. Nesse contexto, mostramos que Deus é o dono da vida e nós somos apenas administradores dela”.15027522_1279697815406168_9201113230225433702_n

Os pais contam que têm total confiança nos filhos, especialmente, em Pedro, que estuda pela manhã e trabalha à tarde. Também que estão muito atentos a qualquer mudança de comportamento de cada um, como por exemplo, quando se calam mais que o normal ou o quanto estão irritados.

Nessa situação, José e Lucinéia usam como princípio de educação e ensinamento para os filhos que “o melhor remédio é eles descobrirem o que dá sentido a vida do ser humano, amar e estar a serviço do próximo”.

Têm opinião forte quando escutam que um adolescente está com depressão. “Na maioria dos casos é por angustia ou vazio, mas não todos. É preciso dar ocupação para estes jovens como tarefas em casa, cobrar notas melhores na escola, ajudar a cuidar dos irmãos e trabalhar. Como hoje dia tudo é muito individualismo, esses jovens vivem num mundo só deles, se fecham, caem no vazio e no tédio”.

Antenados

Controlar o uso de internet dos filhos, segundo o casal, é uma missão dificílima. “Com o Pedro já não conseguimos muito, estamos mais na base da conversa, tentando mostrar se isso não o está escravizando. Questionando, entramos no quarto várias vezes para ver o que ele está fazendo, No entanto, quando está demais, tiramos o celular a noite”.

Por outro lado, os pais reconhecem a personalidade e caráter do filho adoescente. “Como disse antes, ele de manhã estuda, a tarde trabalha e já está conseguindo suas coisinhas”.

José e Lucinéia dizem que com os outros doisa tarefa está mais tranquila. “Com a Maria e o Davi, está mais fácil. Primeiro, porque não temos internet em casa. Uma benção, pois evita um monte de discussão. E quando a usam, só no nosso celular. Ela eu deixo ver o Whatsapp, pesquisas e quando fica um tempo longo, peço para parar. O Davi ainda não tem interesse. Ele gosta de desenhos e filmes”.

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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