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Transformando sua família em uma equipe. Pretensão ou solução?

“Com o mundo globalizado, nossas famílias sofrem influências e interferências o tempo todo”

No artigo do mês anterior, a psicóloga Adriana Pereira Rosa Silva escreveu sobre a família como uma equipe. Desta forma, meu desafio é dar continuidade a um tema importante e atual. Afinal, com o mundo globalizado, nossas famílias sofrem influências e interferências o tempo todo.
Não podemos negar a existência da valorização maior da família e do cuidado com os filhos em nossa atualidade. É de conhecimento geral, que nossa felicidade e/ou satisfação com a vida tem relação direta com o bem-estar e sucesso de nossos filhos e cônjuges.
Sigo o raciocínio do texto anterior que retrata a família como uma panelinha amorosa e que não mais cabe o modelo relacional autoritário em que um fala e o outro, passivamente, obedece. Saber transformar a própria família numa equipe com hierarquia natural e relacionamentos mais colaborativos é uma necessidade dos tempos modernos. Contextualizando o que estamos falando de famílias mais questionadoras, menores e com suas necessidades básicas garantidas.
Se quero transformar minha família em uma equipe, preciso que todos tenham a clareza dos valores nos quais a família se baseia [assunto esse detalhado em outro artigo que escrevi para esta revista e também no artigo do mês passado, escrito por minha colega profissional]. Outro aspecto a considerar são as necessidades e particularidades de todos os membros e não apenas de um. Lembre-se: um outro valor que não pode faltar em toda equipe é a união.
Quando a família tem somente um filho, é tentador fazer a vontade da criança sem levar em consideração a necessidade dos pais. Contudo, essa família pode criar a falsa expectativa de que as vontades da criança sempre serão satisfeitas e que as dos pais desnecessárias. Uma união baseada no desejo de uma só pessoa não é viável e, de forma alguma, saudável.
Numa equipe, todos vibram com a vitória de cada membro e se envolvem nos problemas uns dos outros; amor, empatia, união e respeito são valores básicos. Ao atender famílias, claramente vejo a capacidade das pessoas para resolverem problemas e conflitos quando todos estão envolvidos e determinados a vencer como equipe.
Vamos imaginar uma família que consegue identificar os problemas e conversar sobre eles, inclusive, com as crianças. É fantástico!
Não é dessa forma que uma equipe faz?
Vamos nos reunir?
Quando isso não acontece, as famílias perdem, esquecem a importância do hábito de se reunir na mesa do almoço e jantar, onde vários assuntos importantes e outros nem tanto podem ser debatidos. No filme, ‘A história de nós dois’ [Michelle Pfeiffer e Bruce Willis], a família tem como hábito conversar na mesa do jantar e cada um conta a respeito de algo positivo e negativo que aconteceu durante o dia e sobre possíveis soluções. Uma dica bem bacana de iniciar uma conversa com a família de forma casual e espontânea.
É possível a família criar o hábito de ter um horário para se reunir e discutir sobre o que acontece com cada um dos seus membros, como cada um pode colaborar, receber ajuda e trocar experiências.
Podem imaginar a segurança e tranquilidade que esta postura causa nos seus integrantes? Saber que será ouvido na sua particularidade, receber a opinião de quem o ama e realmente se importa com sua saúde, futuro, sucesso e bem-estar…. será sempre muito importante.
Na família, é mais fácil expormos nossos sentimentos de amor, medo, raiva, dentre outros, e assim, desenvolver a empatia. É importantíssimo ensinar nossas crianças, desde muito pequenas, a se colocarem no lugar do outro e aprenderem que existem mais de uma forma de resolução dos problemas do cotidiano.
Fazemos tantas reuniões de trabalho, lazer, religiosas e por que não reuniões familiares? Ocupe seu tempo para transformar sua família em uma equipe feliz e eficaz diante das adversidades da vida. Não tenha vergonha de amar e expor suas dificuldades e medos. Você sempre terá mais experiência e conhecimento de vida que seus filhos e eles sabem disso. Invista seu tempo com sua família e depois me conte se gostou do resultado.

Forte Abraço!

Ana Lúcia da Costa Rafael – Coordenadora, é Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual. Especialista em Psicologia Clínica pelo CRP/SP, pós-graduada pela PUC/SP em terapia familiar, casal e individual. Ministra palestras e cursos para pais, educadores e psicólogos. Articuladora da APTF [Associação Paulista de Terapia]. Formada pelo Programa Internacional em Práticas Colaborativas e Dialógicas/Houston Galbeston Institute [Texas] e Taos Institute [Novo México].

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Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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