Quinta-feira , 19 Outubro 2017
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Um indivíduo com espectro autista é um desafio para a família

Foto: Otávio Bueno

A presidente da Nesa [Associação de Pais e Amigos do Autista da Baixa Mogiana], Maria José Lopes Silva Gonçalves, 35, é mãe do adolescente Rodrigo Lopes Gonçalves, 17, que é portador do transtorno de Autismo. Ela é casada com Claudinei Aparecido Gonçalves, 39, e o casal tem mais uma filha, Isabella Lopes Gonçalves, 11.

Segundo ela, ter em casa uma pessoa com espectro autista é um grande desafio para toda família e os envolvidos precisam de atendimento e orientação especializados.

“É fundamental descobrir um meio ou técnica, não importa qual, que possibilite estabelecer algum tipo de comunicação com o autista. Autistas tem dificuldades de lidar com mudanças, por menores que sejam. Então, é importante manter o seu ‘mundo’ organizado e dentro da rotina”, diz Maria José.

As regras são importantes e com elas os pais se preparam para a inclusão na sociedade. “Precisamos que as regras sejam claras, para assim podermos evitar qualquer estresse da pessoa com autismo e, consequentemente, dos pais quando contrariada. É essencial ter bom senso e perceber o momento adequado para permitir algo ou não”.

Quando confirmou o diagnóstico de Autismo de Rodrigo, Maria José estava grávida de sua filha. A mãe alegra-se ao comentar do carinho e amor entre os irmãos.

“Isabella se tornou madura muito cedo. Creio que por conta da nossa luta com ele diariamente, ela consegue lidar com o irmão de maneira amorosa e compreensiva. Isabella muitas vezes é minha colaboradora, pois ajuda seu irmão quando há necessidades de apoio”.

 

A descoberta

Maria José conta que antes de três anos e meio, nunca percebeu nada de anormal com o desenvolvimento de Rodrigo.

“A partir desta fase, eu notei que havia algo não típico com comportamentos inadequados que ele começou a apresentar como brincar o tempo todo com um único brinquedo e pelo atraso em falar”.

Então, ela buscou orientação médica e o processo de diagnóstico foi iniciado. O resultado saiu quando Rodrigo Gonçalves estava com seis anos e meio.

“Minha reação foi impactante, pois era meu primeiro filho, eu era jovem, tinha apenas 21 anos e não sabia nada do que viria pela frente. Quando o diagnóstico foi fechado foi um choque. Não quis acreditar que meu filhinho lindo, antes normal, agora apresentava um transtorno que na época eu nem conhecia”.

Com sete anos, Rodrigo começou a ser assistido pela Nesa. “Em dez anos, o excepcional trabalho realizado pela instituição trouxe muitos benefícios. Os profissionais desenvolvem um programa de educação individualizado para abordar os problemas específicos da criança ou adolescente”.

O programa inclui habitualmente a terapia da fala, linguagem e o treino de aptidões sociais e da vida diária. “Notamos significativas melhoras nos comportamentos inadequados, típicos do transtorno. Houve também melhoras nas habilidades motoras, de socialização e nas emocionais no sentido de aceitar contato afetuoso da família”.

Preconceito

Ainda é comum que a sociedade assimile preconceitos e concepções equivocadas acerca do Autismo e deficiências que permeiam o meio social, o que pode se constituir num componente reforçador de estigmas e barreiras que levam à exclusão e segregação.

“O Dia Mundial de Conscientização do Autismo serve para fomentar nos governo e sociedade uma forma de discutir e repensar a situação das pessoas com autismo sob a ótica dos direitos humanos”.

Para ela, a família, o estado e a sociedade devem caminhar juntos. “Unidos, podemos combater todas as formas de preconceitos e discriminação, construindo um mundo mais inclusivo que permita às pessoas autistas mostrarem o seu potencial”.

Viver bem

Como o Autismo inclui um amplo espectro de sintomas, uma avaliação única e rápida não pode indicar as reais habilidades da criança. “O ideal é que uma equipe de diferentes especialistas avalie a criança com suspeita de Autismo. Eles podem avaliar a fala, comunicação, linguagem, habilidades motoras, êxito escolar e habilidades de pensamento”, indica Maria José.

Hoje, com o tratamento correto, muitos sintomas do autismo podem melhorar mesmo que algumas pessoas permaneçam com poucos sintomas durante toda a vida. “A maioria das pessoas com Autismo consegue viver bem com suas famílias e sociedade”, finaliza.

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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