Domingo , 19 Novembro 2017
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Vivendo fora do Brasil

No primeiro momento, a intenção era mudar em busca de segurança. Como mãe e dona de casa, era isso que gostaria de viver.  Segurança para meus filhos. Nossos negócios estavam bons e permitiam essa nossa mobilidade.

Quando você começa sua vida nesse novo país, fica muito evidente que é muito além de segurança que você recebe.  Você recebe esperança. Mas não uma esperança dessas que estão longe, talvez inatingíveis. Uma esperança com resultados reais.

Apesar de ainda estar se recuperando de uma forte crise que teve início em 2008, a população norte-americana enxerga resultados dessa recuperação.

De certa forma, a população americana confia e tem apoio total do governo que a rege. Um governo que luta todos os dias para proporcionar benefícios para a população. Um governo que está tentando solucionar o problema da nação, sem tirar proveito disso.

Em 2008, a crise foi em decorrência do setor imobiliário, sendo mais agravada no momento em que o governo americano resolveu investir U$700 bi para reverter esse processo. Afinal, essa potência econômica mundial estava abalando o globo com a sua crise interna. Muitos países ‘quebram’ se os Estados Unidos ‘quebrarem’. É a economia americana que direciona o mundo.

Na América, com uma economia bem estruturada, segura e estável, tendo um PIB de U$18,5 trilhões, fazendo dela a primeira economia mundial, o cenário de uma recuperação é fato.

O que acontece muitas vezes, o Brasil já viveu e está vivendo isso novamente, é que, com a crise, os investidores saem do país, o que ajuda a ‘afundar’ ainda mais a situação econômica brasileira.

E, mesmo o Brasil sendo a 7ª economia mundial, com um PIB de U$5,9 trilhões, não é suficiente para alavancar a reuperação dessa crise tão cedo, principalmente, quando se está ao lado de um governo que tanto extraiu do país.

Desde o início das colonizações desses dois países, as diferenças apontam para o que se tornaram hoje.

Quando os ingleses aqui chegaram, foragidos por estarem sendo perseguidos por sua religião, a intenção era construir uma ‘Nova Inglaterra’. Um lugar onde pudessem reconstruir suas vidas com liberdade para a prática de seus costumes religiosos. Uma esperança de um novo mundo. Carregaram esse continente com carinho e zelo, igual quando você consegue sua nova casa.

No Brasil, os portugueses chegaram, garantiram posse das terras e foram para o real objetivo, que eram as Índias, e lá, bombardearam e tomaram o porto de Calicute. Saquearam muitas especiarias, roupas, jóias e voltaram para Portugal.

Os que ficaram no Brasil, aproveitaram para gerar os primeiros brasileiros. Mestiços nascidos de ataques às mulheres indígenas que lá viviam.  E assim nascia nossa nação. Nação nascida da exploração.

Dentro desse descaso, o nosso Brasil cresceu. Os governantes sempre tirando proveito dessa nação que tanto tem a oferecer. Muitos trabalham para beneficiar poucos.

Infelizmente, a esperança fica na esperança. Altos impostos fazem com que muitas conquistas sejam adiadas e vidas não consigam viver tão dignamente.

Pesquisas mostram que, em 2016, os brasileiros precisam trabalhar 153 dias somente para pagar os impostos. É claro que, nos Estados Unidos, eles também existem. Mas os dias se reduzem a 102 dias.

Mesmo em tempos de crise, somente 1,5% da população dos Estados Unidos vivem com o salário mínimo, que gira em torno de U$ 7,25/hora. No Brasil, mesmo fora da crise, quase metade da população sobrevive com o mínimo, que gira em torno de R$ 5,00/hora – os valores de acordo com a moeda de cada país. Nota-se que para o Brasil a moeda está em Real e vice-versa -. E olha que aqui, não existe férias remuneradas ou 13º salário. Não trabalha. Não ganha.

Outra diferença fundamental é que o poder de compra do americano é bem maior, porque do seu salário, somente 25% vai para o pagamento de impostos, contra quase 42% do salário brasileiro.

Produtos de primeira necessidade como leite, açúcar, arroz, verduras, legumes, feijão, ovos, não possuem impostos e para todo o resto que você comprar, o imposto é um só, que no caso da Flórida são 7%.

Assim sendo, adquirir uma casa própria, por exemplo, está mais próximo de se conseguir. Infelizmente, o Brasil vive uma luta contra o próprio governo. Com tantos impostos para pagar, com nossa moeda desvalorizada e tanta corrupção, fica difícil. O desequilíbrio econômico é enorme. Há uma classe muito grande com poucas condições e muito dinheiro nas mãos de poucos.

Com pouco tempo que estava aqui, a crise brasileira começou a nos afetar. Nosso Real, a cada mês, valia menos.  Mesmo estando aqui, sentimos na pele essa crise. Nossos negócios já não prosperam mais.

Penso que, na busca pela segurança, encontrei o respeito de um governo por sua população. Um país que quer levar um ‘bom nome’ para o mundo. Que se vangloria em ser bom, em ser um país rico e não em TER governantes ricos.

E, em troca disso, cidadãos não só que amam o país, mas que são extremamente patriotas e orgulhosos do país que têm. Cidadãos que conseguem sonhar e, principalmente, realizar sonhos. Um país que tem problemas? Sim, e muitos. Mas que, enxerga e trabalha por soluções. Um país como o meu Brasil deveria ser.

Sobre Rubia Wakizaka

Rúbia Mara Andrade Felisberto Wakizaka é guaçuana e há três anos mora em Lake Mary [Flórida]. É casada com o empreendedor Fabio Wakizaka e mãe de dois filhos, Ichiro e Kenzo. Fala inglês fluente, é artesã e culinarista. Nos Estados Unidos, trabalha na área digital como bloguer e youtuber, trazendo experiências do setor de craft, abrangendo técnicas de costura, bordado e crochê, por meio do seu canal ‘Faça-Você-Mesmo’.

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