Quinta-feira , 21 Setembro 2017
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Você é resiliente?

Foto: Otávio Bueno

Durante muitos anos a palavra resiliência foi utilizada no campo da Física, pois sempre esteve ligada a capacidade de flexibilidade de objetos e materiais que voltam ao seu estado natural, após sofrerem grande ou leve pressão, como é o caso da mola, por exemplo.

Atualmente ao identificarmos pessoas que conseguem superar dificuldades e desafios, e se fortalecem a partir dessas situações, utilizamos a expressão: ‘Essa pessoa é resiliente!’. Assim, fazemos uma analogia da Física com a habilidade humana de se superar e se tornar mais resistente e flexível às dificuldades vividas.

Algumas ciências, assim como a Psicologia, tem procurado compreender os processos e condições que possibilitam superação de problemas, afinal, os mesmos são inerentes a vida e as pessoas estão boa parte do tempo lidando e enfrentando situações adversas.

É importante ter consciência que a vida não apresenta somente momentos felizes… a tristeza, a dor, a preocupação, a solidão também são sentimentos humanos o que não significa sinais de fraqueza ou fracasso.

Compreender e lidar com esses sentimentos é o primeiro passo para superação e para o processo resiliente. Acredita-se que a resiliência é uma capacidade que nos orienta para o futuro em busca da esperança e força que nos leva a mudança.

Vivemos num contexto social, no qual, grandes e rápidas mudanças fazem parte do nosso cotidiano e estamos  constantemente nos adaptando a elas. Neste caso, a resiliência pode ser compreendida como resposta aos desafios que se impõem, entendendo, que essa atitude vai muito além do enfrentamento das adversidades, mas também favorece o aprendizado e o crescimento pessoal.

Ao contrário do que muitos pensam a resiliência não é um traço de caráter hereditário que alguns têm e outros não e, sim, uma conquista pessoal. Podemos desenvolvê-la ao longo da vida. Certamente todos nós temos na memória lembranças de acontecimentos de superação.

Vasculhando nossas histórias e vivências, podemos recordar o quanto é gratificante quando conseguimos superar uma dificuldade, o quanto isso nos incentiva acreditar em nossos potenciais. Quem de nós nunca ficou entusiasmado ao superar uma dificuldade e dar a volta por cima mesmo após enfrentar situações como separações e perdas.

A partir desta reflexão, podemos compreender a necessidade de uma ‘cultura’ que tem como perspectiva à construção de recursos pessoais ligados a elaboração de respostas adaptativas e criativas para superação de problemas, contrária a ideia de crises como problemas insuperáveis e irreversíveis.

Segundo Grandesso e Venutto: “O incentivo ao desenvolvimento resiliente e a preparação das pessoas para resistirem a situações adversas que a vida proporciona saindo fortalecidos de crises, podem significar uma das grandes apostas da atualidade”.

Há muitos fatores que contribuem para a resiliência. E um dos principais é termos relações significativas com o meio que nos cerca, como a família e os amigos. Outro fator é a capacidade de fazer planos realistas, planejar bem os passos e segui-los. É importante ter uma visão positiva de si mesmo, acreditar que se pode vencer, e ainda se fortalecer com a superação.

Outro ponto primordial é a aceitação de mudanças, afinal não há evolução sem mudança e adaptar-se a ela pode colaborar até mesmo com ações estratégicas para novas situações.

Enfim… é importante compreender que a resiliência é a conquista de um processo humano, que precede esforço e construção, porém, é algo valioso nos dias de hoje onde estamos expostos a situações adversas constantemente!

Concluo com esse pensamento de William Shakespare que traz de forma sábia e poética a necessidade e importância da resiliência.

“Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára, para que você junte seus cacos. Aprende que o tempo não é algo que se possa voltar para trás. Portanto plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende realmente que pode suportar… que realmente é forte, que realmente pode ir mais longe, depois de pensar que não pode mais. E que realmente a vida tem valor diante da vida!!”
Bibliografia:

ARAÚJO, C.A. [Org.] Resiliência, teoria e práticas de pesquisa em psicologia. São Paulo: Ithaka,2011.

GRANDESSO, M. A. [Org.]. Práticas colaborativas e dialógicas em distintos contextos e populações: um diálogo entre teoria e práticas. 1 ed.- Curitiba, Pr: CRV, 2017.

 

Flávia A. Lima – Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual.  É coordenadora de grupo de apoio para religiosos. Ministra palestras e cursos para pais e educadores. Formada pelo Programa Internacional em Práticas Colaborativas e Dialógicas/Houston Gabeston Institute [Texas] e Taos Institute [Novo México].

Sobre Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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