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Walter Caveanha diz que 2015 foi o pior ano de sua vida pública e revela ter ‘muito medo’ de como será o próximo

Político desconversa sobre candidatura para as Eleições de 2016

O prefeito de Mogi Guaçu, Walter Caveanha [PTB], recebeu na terça-feira, 22 de dezembro, às 16h, em seu gabinete, a reportagem da O Pólo para a entrevista de final de ano. Durante uma hora e meia de conversa, o Chefe do Executivo falou sobre diversos assuntos como reeleição, crise econômica do país e futuro administrativo.

“Com certeza, 2015 foi o pior da minha vida pública de 30 anos. Nunca passei por momentos tão duros como este período”. E revela, “tenho muito medo do ano de 2016. Sabe por quê? Não sabemos o que esperar da economia e da política nos próximos 12 meses”.

Não confirmou sua candidatura para as Eleições de 2016, porém, não negou. Deixou no ar a curiosidade da população, mas respondeu que o único candidato que derrota Walter Caveanha nas urnas é o próprio Walter Caveanha.

Diz acreditar no potencial político do filho, o vereador Thomaz de Oliveira Caveanha [PTB], e em forças para construir uma cidade melhor para os netos, assim como, conseguiu uma Mogi Guaçu digna para os filhos.

Contou do projeto que envolve a prefeitura, o presídio feminino de Mogi Guaçu e a SAP- SP [Secretaria de Administração Penitenciária] e mandou um recado para a cidade gaúcha de Gramado.

Em sua entrevista, saiba como Walter Caveanha encarou este ano e suas metas futuras.

 

O senhor administrou Mogi Guaçu por quatro mandatos. E, nesse processo, são 30 anos de vida pública entre outros cargos públicos. Que experiências aprendeu?

Antes de tudo, tenho que agradecer a Deus por essa vivência de gestão pública. Acredito que temos uma missão e tenho me dedicado para isso. Reverter esse dom em trabalho de qualidade de vida para a população.

Cito como aprendizado que os modelos de gestão pública que incorporaram a comunidade seja o maior deles. Em 1977, implantamos o primeiro projeto de saúde do país de medicina preventiva. Descentralizamos os atendimentos do Hospital Municipal para os postinhos de saúde. Um modelo de grande sucesso que trouxe as pessoas para dentro da administração pública. Todos trabalharam em conjunto.

Outro modelo de Governo versus cidade foi o investimento na cultura com a criação da Banda Infanto-Juvenil da Corporação Musical Marcos Vedovello, um projeto que evoluiu e gerou outras bandas e, hoje, temos cerca de cinco mil estudantes de música espalhados pela cidade.

No esporte, entregamos a pouco tempo 200 faixas para crianças que praticam judô no Ceresc, na Vila São Carlos.

A participação da comunidade com a gestão pública é com certeza a minha maior experiência como político.

 

E, quais as maiores decepções?

Para ser bem sincero, nunca tive. Tive decepções no sentido de um gestor não dar continuidade a um projeto criado por outro, como por exemplo, a nossa Faculdade Municipal Franco Montoro. O curso de Engenharia Ambiental de Mogi Guaçu foi o primeiro do Estado de São Paulo e o segundo implantado no Brasil. Eu que trouxe essa especialização superior para cá. Quando o Hélio Miachon Bueno assumiu meu cargo, ele deu prosseguimento ao trabalho porque soube da importância da faculdade para o desenvolvimento da cidade. Ela cresceu e chegou a ter 1,2 mil alunos.

Mas daí o que aconteceu? Meu antecessor fez o favor de derrubar a qualidade do ensino e o número de matrículas caiu para 400 estudantes e a inadimplência chegou a 90%.

A faculdade guaçuana perdeu a credibilidade por falta de amor de um administrador com a gestão pública, que a destruiu por vaidade própria somente por não querer dar continuidade a um trabalho criado por outro prefeito.

Tenho decepção quando alguém destrói um patrimônio de algo da cidade.

 

Com essa experiência o que espera de seu futuro político?

Não tenho preocupação com o meu futuro político. Tenho o compromisso e a missão

de administrar Mogi Guaçu. Ser um gestor público me faz muito bem. Trabalho para transformá-la na maior da região porque ela pode e deve ser a líder da Baixa Mogiana. Temos as Grandes São Paulo, Jundiaí e Campinas e logo teremos a Grande Mogi Guaçu. Temos potencial para isso. O nosso rio e os fatores climáticos e ambientais são favoráveis para que tudo aconteça.

 

Em 2015, foi um ano difícil para o Brasil, os municípios e cidadãos. Para o brasileiro Walter Caveanha como ele se encerra?

Como cidadão e brasileiro foi um ano positivo. Com a graça de Deus estou trabalhando, com saúde, minha família unida, os netos crescendo e tenho minha mãe com 89 anos junto de mim. Isso me dá todo o suporte que preciso. Realmente, um ano feliz, trabalhando com o que gosto e junto das pessoas amadas.

Já como gestor público, com certeza foi o pior da minha carreira política inteira. A ordem financeira e a receita do município foram insuficientes. E como fazer para que a população não sofresse com a saúde e educação? Tive que pegar 65% da arrecadação para injetar nestes dois setores.

Então, ter conseguido sanear a saúde financeira e orçamentária dos guaçuanos é uma vitória. Porém, foi o mais difícil da minha vida.

 

E para 2016, o que espera?

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Eu ainda não sei o que vai acontecer em 2016. Se a industrialização em Mogi Guaçu não crescer, o orçamento ficará prejudicado. Eu tenho muito medo do próximo ano. Vamos ter que trabalhar com o pé no freio e tentar arrecadar entre R$ 500 e R$ 600 milhões para não fecharmos no vermelho.

 

Politicamente neste ano, quais as conquistas de Mogi Guaçu?

Nossa credibilidade de endividamento com os Governos Federal e Estadual, os R$ 7 milhões para o recape das avenidas e ruas da cidade. Saímos de um deficit de R$ 43 milhões dos dois anos anteriores para um superavit de um milhão de reais. O pior ano da minha vida pública termina com uma grande vitória e conquista para Mogi Guaçu.

Cito ainda a vinda da empresa chinesa Liugong e de outras para cá e a entrega de duas mil casas para as pessoas com salários de baixa renda.

 

Perspectivas de conquistas para 2016?

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Conseguir recursos para a construção de mais um distrito industrial na área da Fazenda Campininha, atrair investimentos de terceiros para a instalação do Porto Seco [próximo ao Ypê Amarelo], iniciar o nosso Plano Diretor de mobilidade urbana, melhorar o saneamento básico geral e concluir em 100% o tratamento de esgoto da cidade.

 

Como está o convívio com os Secretários. Algum está andando fora da linha?

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[Muitos risos]. Você hein! Estão trabalhando com dedicação. Uns com mais infra-estrutura e outros com menos. Mas todos unidos em prol da população. Temos que considerar que às vezes não é possível atender a comunidade como gostaríamos.

Todos merecem destaque. Ninguém trabalha ou faz algo sozinho. É uma equipe que mesclou secretários jovens com secretários experientes. Foi um ótimo equilíbrio para um desenvolvimento administrativo com mais qualidade.

Cabe te contar aqui, que o grupo de secretários está envolvido em um projeto para dar trabalho voluntário às presas de bom comportamento do nosso presídio. Um sistema que funciona em Campinas que a cada três dias trabalhados, as presas diminuem um dia da pena total. Estamos conversando com a SAP-SP [Secretaria de Administração Penitenciária] para viabilizarmos esse processo.  

 

O senhor não teme que gere pânico na população?

Importante você destacar isso. Não há o que temer. Como te disse, ainda estamos em conversa com a SAP e em estudo deste projeto. Outra coisa, só irá trabalhar nas ruas, as presas com bom comportamento e acompanhadas de agentes treinados para esse tipo de serviço voluntário.

 

E qual seria o trabalho realizado por elas?

Na manutenção da limpeza pública, outras demandas que surgirem no decorrer do tempo e na colocação de flores em avenidas, ruas e praças de Mogi Guaçu, como sempre fiz em minhas gestões anteriores. Gosto da cidade colorida e enfeitada com flores diversas.

 

Atualmente, como está a relação do senhor com a Câmara Municipal?

Excelente. Inclusive, a Câmara Municipal liberou R$ 1,2 milhão para que a prefeitura pagasse o 13º salário dos servidores públicos.

 

Pessoas têm cobrado um posicionamento a respeito do Atlético Guaçuano. Como ficará a situação do Mandi para 2016?

Em meio a uma crise como essa, as prioridades do nosso Governo são a saúde e educação. Não temos condições financeiras de ajudar o clube neste momento. Não tem como priorizarmos a situação do Atlético Guaçuano, em vista de carências maiores da população guaçuana.  

 

Walter Caveanha será candidato para prefeito nas Eleições de 2016? 

Nada definido sobre isso. Vai depender das convenções do PTB. E ainda não foi marcada nenhuma convenção.

 

Caso seja candidato, quem será o vice. Thomaz Caveanha ou Salvador Franceli?

São nomes fortes e respeitados. Mas, o vice será decidido em conjunto com todo o grupo, por meio de pesquisas e aceitação popular. Também depende das convenções partidárias.

 

Que candidato derrota Walter Caveanha nas urnas em 2016?

Walter Caveanha.

 

O senhor teme algum opositor?

Não temo nenhum candidato. Temo que o gestor que assumir não esteja preocupado com o desenvolvimento cidade. Eleição não se compara com partida de futebol, festa popular ou Carnaval.

Eleição é uma defesa de tese para solucionar os problemas do seu município, aumentar a receita, criar infra-estrutura e melhorar isso em todos os setores e sentidos com qualidade de vida.

 

Acredita na reeleição de Thomaz Caveanha para o Legislativo 2017/2020?

O Thomaz está se saindo muito bem como vereador. Saiu-se bem como presidente da Câmara e recebe apoio da população. O Thomaz tem independência e sabe conduzir com sabedoria o seu futuro político.

É uma pessoa leal com seu município, amigos e grupo político. Isso é muito importante com a responsabilidade do cargo que ele ocupa.

 

Ser pai e prefeito e ter um filho vereador. Como lidar com as duas situações?

Primeiro, é uma satisfação muito grande ver o meu filho participando da vida pública, o que não é fácil, ainda mais nos dias de hoje. Isso é uma coisa nata, é um destino.

Como pai, eu só tenho orgulho dele. Sabemos separar a vida pessoal da vida pública.

 

Como é o vovô Walter Caveanha?

Em 1977, a Maria Amélia estava grávida do nosso primeiro filho. Então, eu trabalhei para construir uma cidade melhor para ele. Consegui.

Agora, tenho o desejo de construir uma cidade muito melhor e desenvolvida para os meus netos. Coisas de avô. E espero entregar para cada um dos meus netos, uma Mogi Guaçu mais digna, segura e iluminada.

 

Suas considerações finais.

Desejar à população um Natal de muita paz, saúde e Deus no coração. Que a gente saiba refletir o significado do Natal, pois sem ele, nós não teríamos condições de fazer com que tudo isso acontecesse.

Tivemos o Natal Luz em 2015. E Gramado [RS] que se cuide. Vamos transformar Mogi Guaçu todos os dias em Natal Luz. Eu sempre vou repetir que Gramado tem que tomar muito cuidado. Um Santo Natal! Um Feliz 2016 para todos!

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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