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William Braido não competirá no atletismo da Rio 2016

Brasil ‘abriu mão’ de vagas a que tem direito por ser país sede

Foram cinco anos de treinamentos exaustivos, tendo como objetivo principal na carreira disputar os Jogos Olímpicos de 2016, dentro de casa, que começam na próxima semana, sexta-feira, 05 de agosto, no Rio de Janeiro.

No entanto, o guaçuano William Braido, 24, participará do maior evento esportivo do mundo como telespectador. Tudo porque a CBAT [Confederação Brasileira de Atletismo] decidiu não inscrever mais dois atletas que o país sede tem direito por modalidades.

Braido é atleta profissional de arremesso de peso e teve como técnico no ciclo olímpico 2013/2016, o cubano Justo Navarro, Doutor pela Universidade de Havana e treinador nível V pela IAAF [Federação Internacional de Atletismo], esfera máxima que um profissional pode atingir e com especialidade da área realizada na Rússia.

Em entrevista para a O Pólo, William Braido conta dos sucessos e percalços que um atleta brasileiro enfrenta para chegar ao topo.

Que detalhe faltou para obtenção da vaga olímpica em 2016?

O critério de convocação esse ano é a marca mínima de 20,50m ou estar entre os 32º do ranking mundial. Eu costumo ficar entre os 50º. O Brasil abriu mão das vagas de país sede que normalmente são duas por modalidade.

Para 2020, quando inicia os treinamentos na busca dessa vaga?

Este ano já começarei um treino especifico para o novo ciclo olímpico, com o objetivo de ganhar 50 cm por ano até 2019. Se me mantiver arremessando nessa faixa até 2020, creio que terei grandes chances de estar em Tóquio. Durante o próximo ciclo terão diversas competições importantes que são as ideais para participar.

Conversando com meu treinador, ele sempre me diz que meu pico de rendimento e maturação desportiva será por volta dos 28 anos. Portanto, o grande objetivo com certeza é fazer mais um ciclo olímpico completo para chegar bem e poder sim classificar para os próximos Jogos Olímpicos.

O brasileiro que venceu a disputa para a Rio 2016 está em um nível acima do seu?

Em 2010, quando se iniciou o processo para melhorar a potência do arremesso de peso no país, trazendo um técnico estrangeiro, o recorde brasileiro era de 18,66m desde 1994. Então, um grupo de atletas foi selecionado para essa nova trajetória, entre eles estavam eu e o atleta Darlan Romani de Santa Catarina, que hoje é o atual recordista brasileiro com 20,90m. O Darlan realmente é diferenciado e tem um nível mais alto em várias capacidades físicas como a força e a técnica. Ele será o primeiro brasileiro a ir a uma Olimpíada no arremesso de peso.

Qual o sentimento nesse momento por não competir em casa?

O sentimento é o de que eu caí. Mas caí atirando. Pois eu saí de casa com 15 anos e fui morar em um alojamento dividindo banheiro com mais de 20 atletas. Passei algumas dificuldades, mudei de cidade cinco vezes, sempre atrás dos melhores centros de treinamento e treinadores. Quando recebi o convite da CBAT [Confederação Brasileira de Atletismo] para compor essa equipe em um centro nacional de treinamento eu não pensei duas vezes. Eu atrasei minha formação acadêmica, deixei amigos e família, abri mão de inúmeras coisas para treinar. Se não consegui desenvolver o quanto eu precisava, infelizmente, preciso ter um pouco mais de paciência e conviver com algumas derrotas para um dia chegar à vitória. Mas eu tenho tentado e continuarei tentando ao máximo para chegar lá.

Frustração de que poderia ter treinado mais?

Eu treinei com um dos melhores técnicos do mundo e, também, um dos mais rígidos. Eu cheguei a fazer 600 seções de treino em um ano e não existia a possibilidade de ficar doente. Tinha que treinar. Em 2015, eu desmaiei diversas vezes buscando superar meus limites. Eu não sei o que é Carnaval a mais de cinco anos, perdi casamentos e festas familiares e até o próprio enterro da minha avó em função dos treinos. Cheguei a fazer até dez horas diárias de treinos exaustivos. Então, não pode ter sido por treinar mais ou menos. Mas para se fazer um atleta olímpico vão no mínimo dez anos de treinos dessa forma. Eu ainda preciso continuar percorrendo esse caminho.

NOVO CICLO OLÍMPICO

Qual cidade você mora e por quê?

Atualmente, eu estou morando em Campinas. Vivo ao lado do CT [Centro de Treinamento] para facilitar meus dias de treinos e ter a disposição tudo que eu preciso.

 

Qual o local dos treinos?

No Centro de Treinamento de Alto Rendimento da equipe Orcamp. 

Principais títulos conquistados pelo seu técnico Justo Navarro?

O maior título da carreira dele foi ter uma campeã olímpica no arremesso do peso em Atenas 2004, e, também, ter sido treinador da recordista cubana da modalidade e das dez líderes da prova no Centro América durante uma década.

Como é a modalidade?

O arremesso de peso é composto em arremessar ou empurrar uma esfera metálica de 7.260kg para os homens e 4kg para as mulheres a maior distância possível, utilizando um espaço específico de 2,14 cm. É válida à distância onde a esfera tocar no solo primeiro.

Quem são os campeões olímpico e mundial da prova?

Masculino

Olímpico: Tomasz Majewski [Polonês] com 21,89m.

Mundial: Joe Kovacs [Norte-Americano] com 21,93m.

Feminino

Olímpico: Valerie Adams [Nova Zelândia] com 20,70m.
Mundial:
Christina Schwanitz [Alemã] com 20,37m.

Mundial já disputou algum?

Não.

Quando pretende vir para Mogi Guaçu?

Mogi Guaçu ainda é meu refúgio. Sempre que posso e tenho tempo eu vou. É onde me organizo para poder voltar a minha rotina de treinamentos, me distraio e fico com minha família e amigos. Quem sabe um dia eu volte de vez para aí.

Em momentos de lazer o que costuma e gosta de fazer?

Nos pouquíssimos momentos que tenho, pois eu não aproveito os feriados e só alguns sábados porque estou sempre treinando, costumo fazer coisas tranquilas entre amigos ou uma boa companhia, como pegar uma praia ou fazer uma viagem.

Fique à vontade para comentar o que mais desejar.

Gostaria de comentar algumas curiosidades sobre o treinamento, porque todos pensam que é somente arremessar o peso e praticar o gesto técnico. Mas envolve uma musculação pesada, períodos de treinamento físicos e exaustivos, musculação que trabalha com cerca de 1,5 a 2 toneladas de peso puxados por treino.

O treino tem que ser seguido ao menos durante 500 períodos por ano de no mínimo quatro horas, sendo necessário perder finais de semana e feriados.

Outro fato é que no momento possuo poucos patrocínios e qualquer investimento por menor que seja me ajudaria muito para contribuir com o meu sonho olímpico.

No mais, somente agradecer a oportunidade e espaço que a O Pólo está me oferecendo.

William3Jogos Olímpicos

Assistirá a Rio 2016?

Irei assistir dois dias de atletismo que terão diversas provas e, entre elas, o arremesso de peso masculino e feminino. E, talvez, a um dia do levantamento olímpico.

 

Como torcedor brasileiro, acredita em quantas medalhas de ouro para o Brasil?

No atletismo, eu acredito em pouquíssimas conquistas. Nossa realidade esportiva não condiz em nada com a realidade esportiva a nível mundial. Você sabia que no Rio de Janeiro não tem NENHUMA pista de atletismo pública? E, que, em São Paulo as pistas são totalmente restritas para determinados clubes e atletas.

Aqui no Brasil, não tem estrutura para se treinar para quase 90% dos atletas. Eu sou sortudo e tenho uma equipe que fornece tudo que preciso para treinar, mas ainda sim, me falta muita coisa para conseguir chegar ao topo.

Porém, eu acredito em duas medalhas de ouro no salto com vara masculino e feminino e mais uma no lançamento do martelo masculino. Para outras medalhas, muita coisa tem que dar errado para os outros países.

E no quadro geral de medalhas quantas conquistaremos?

A única coisa que tenho certeza, será que ficaremos muito baixo no quadro geral de medalhas, não chegaremos nem perto dos 10 primeiros países.
Ficha técnica

Nome: William Braido

Nascimento: 08/03/1992

Idade: 24 anos

Filiação: Silvia Mara Jacy Braido, 48 anos, Waldir Braido 53 anos

Profissão: Atleta

Graduação: Educação Física – UNIP [Universidade Paulista]

Títulos

Campeão Sul Americano Sub-23;

02 Vice-Campeonatos Sul Americano Adulto;

Campeão e Recordista Brasileiro Universitário;

12 Títulos de Campeão Estadual;

03 Títulos de Campeão Brasileiro;

02 Vice-Campeonatos do Troféu Brasil Adulto;

4º lugar nos Jogos Ibero-Americano;

04 Vice-Campeonatos em Grand Prix Internacionais;

14 Títulos de Campeão dos Jogos Regionais;

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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Um comentário

  1. Flávio Ribeiro, Primeiramente gostaria de agradecer todo apoio durante esse ciclo olímpico. É por amigos como você e gestos como esse que consegui treinar da melhor maneira possível. Obrigada por todos esses anos que sempre se ofereceu de forma incondicional para o que eu precisasse. Parabéns pelo trabalho incrível que tem feito no “O POLO”! Simplesmente foi uma das mais completas e bem escritas que já participei.
    Todo sucesso sempre!

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