Quinta-feira , 14 Dezembro 2017
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  • Guaçuano diz: “Adeus, Brasil. Olá, China!” - Roberto Xavier, pai do estudante, esteve na China em novembro

  • “Fiz vários amigos de todas as partes do mundo. Literalmente, todas”

  • “Cultura completamente diferente, mas hoje, tudo é normal”

  • Sua turma é composta por 57 alunos de países como Coréia do Sul e Índia e outros do Leste Europeu e Continente Africano

  • Sociável e carismático não foi difícil se enturmar

  • “Uma aventura pela China sem saber falar chinês”

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“ZÀIJIÀN, BAXI. NI HAO, ZHONGGUÓ!”

Guaçuano diz: “Adeus, Brasil. Olá, China!”

Francisco Falsetti Xavier, 22, mudou-se no último mês de agosto para o outro lado do planeta. A nova residência fica em Changchun, Província de Jilin [China], localizada na região da Manchuria a 1000 km da capital Beijing.

“O mais importante é que estou com as rédeas da minha vida e carreira profissional nas mãos. Depende somente de mim alcançar o sucesso que almejo”, comenta.

Graduado em Relações Internacionais pela Facamp [Faculdades de Campinas], Fran como é conhecido, ganhou a oportunidade da Chinese Scholarship [Programa de Bolsas de Estudo do Governo Chinês] para fazer Mestrado em Relações Internacionais.

Em seu TCC [Trabalho de Conclusão de Curso], apresentou uma abordagem sobre o pensador e filósofo chinês Confúcio [Kung-fu-tzu/551 a.C].

“Já conhecia a China. Estive em viagem nesse país com os meus pais quando tinha 11 anos e sempre quis passar um tempo aqui. Apareceu a chance e eu agarrei. O TCC foi fundamental para a escolha”, conta.

Para conseguir a bolsa, Francisco enviou um mini-projeto, fez exames físicos de saúde e apresentou duas cartas de recomendação que foram redigidas por seus professores universitários Lucas Rezende [Doutor em Teoria de RI e Estratégias de Guerras] e Cunha Couto [Comandante da Marinha e Membro da GSI – Governo Federal].

Durante dois anos, o jovem estudará na Jilin University. O retorno ao Brasil está marcado para setembro de 2017, após sua defesa de tese.

Ele está alojado no hotel da faculdade e divide as instalações com um estudante da Geórgia. Sua turma é composta por 57 alunos de países como Coréia do Sul e Índia e outros do Leste Europeu e Continente Africano.

“Aqui vai tudo bem e estou adaptado. Demorou, mas consegui. No começo foi muito difícil. Cultura completamente diferente, mas hoje, tudo é normal”, fala.

Sobre o curso conta que “as aulas são ministradas em inglês. O mestrado está muito difícil, porém, excelente. Gosto demais dos meus professores e das matérias. Afinal, foi para isso que eu vim para a China”.

Como bolsista, Falsetti  recebe da Jilin University cerca de 3 mil Yuan, equivalente a R$ 1,5 mil para se manter mensalmente, que são utilizados para sua alimentação, transporte e compras de textos e livros exigidos pelo mestrado.

“Não tenho mais nenhum vínculo monetário com a minha família. Estou crescendo e me tornando um homem responsável”.

Experiências – Francisco Falsetti Xavier conhece 14 países, sendo eles, Austrália, Belize, Nova Zelândia, Estados Unidos, Inglaterra, França, Itália, Bolívia, Chile, Peru, Guatemala, México, Brasil e China, além de ser poliglota: português, inglês, espanhol e agora chinês [mandarim]

 

Convivência

Sociável e carismático não foi difícil se enturmar. “Fiz vários amigos de todas as partes do mundo. Literalmente, todas. Tanto amigos da faculdade, quanto fora dela. Tenho feito alguns amigos chineses também. Em relação à língua [mandarim], aprendo mais na rua do que dentro da sala de aula”.

Diz que por enquanto não visitou muitos lugares. “A única cidade que conheci foi Harbin, capital da província de Heilongjian. Foi muito legal, tipo uma aventura pela China sem saber falar chinês. Mas foi rápido. Fiz em um dia”.

Em novembro, o estudante teve uma visita surpresa que o agradou demais, de seu pai, o geólogo Roberto Xavier. “Estive em Beijing com ele. Mas já conhecíamos a capital. Na cidade, a atração turística é o Palácio do Último Imperador da China, mas nada de mais. Agora a neve chegou e podemos ir esquiar. Aliás, isso tudo é novo pra mim. Primeiro inverno de verdade”.

 

Festas

Enquanto a maioria dos países do mundo celebra as festas de final de ano, na China tudo permanece normal. “O calendário do Ano Novo Chinês é diferente do Brasil. Aqui não se comemora o Natal, devido ao país ter várias religiões como tawísta, budismo e confucionismo [mistura de filosofia, religião], além de cristãos e islâmicos”.

 

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Para o período de descanso do mestrado, Fran revela os planos. “Programei uma viagem para Vladvostok [Rússia] e de lá seguirei até Moscou no Trem Transiberiano. Também pretendo ir para a Austrália para rever alguns amigos, pois morei lá com minha família por um ano. E quero conhecer ainda a Coréia do Sul’.

 

Futuro

Certo do que quer na carreira profissional, Xavier está focado em conseguir um trabalho e já pensa no doutorado. “Quero atuar em uma organização internacional. Não propriamente na China. Buscarei uma especialização em algum país da Europa. Com este mestrado e um emprego exterior no currículo as portas se abrirão com maior nitidez”, conclui.

Sobre Flávio Ribeiro

Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Pucc - Campinas. Editor-Chefe e Repórter da Revista O Pólo - Agência ODBO, é o responsável pela checagem e produção das reportagens e artigos e, também, da edição final da revista. Exerceu a função de Assessor de Imprensa de Gestão Pública e trabalhou em meios de comunicação como o Jornal Gazeta Guaçuana, Jornal Cidade e estagiou na EPTV Campinas.

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