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A mulher de uma bolsa só

Nunca fui muito vaidosa, mas qual mulher não gosta de ter bolsas? Sapatos? Roupas? Acessórios? Qual o problema disso?

Esse título é direcionado às mulheres?
Foi escrito em homenagem ao dia 08 de Março – Dia Internacional da Mulher?
Talvez um jogo de marketing para vender mais bolsas?
Não… nada disso!
Também diferente de muitos que já escrevi, não é um artigo técnico, penso que reflexivo.
É a inspiração a partir de um fato ocorrido no início do ano, quando deixei uma bolsa para trocar e me deparei com a falta de outra, pois como de costume nas férias de final de ano fiz a famosa faxina, doei todas que não usava mais.
Nunca fui muito vaidosa, mas qual mulher não gosta de ter bolsas? Sapatos? Roupas? Acessórios? Qual o problema disso? Acho tão bonito, mulheres elegantes!

“Não é sobre bolsas e nem vaidade feminina que quero falar.
É sobre desapego, o que vai se tornando desnecessário”

Prestes a completar 45 anos já me encontro diferente, faço reflexões antes talvez criticadas por mim mesma. Pergunto-me sobre o que realmente preciso? Quais são meus desejos? Por que mudei o foco? Por que uma bolsa só?
Acredito, que além da maturidade, as circunstancias da vida e o atual contexto pandêmico, perguntas como: o que realmente vale a pena, do que é preciso desapegar-se ou o que realmente tem valor, são reflexões necessárias.
Recentemente num encontro encorajador conversávamos sobre o tema e quantas declarações importantes surgiram ali, pois o que essa atitude realmente significa? Quais as dificuldades de nos desapegarmos de determinadas situações e objetos? Qual o significado de cada coisa que guardamos? Quais sentimentos estão presentes? E as lembranças?
Conversamos sobre a necessidade de deixar aquilo que nos prende, abrir mão do que não nos serve para servir ao outro, questionar nossos investimentos, olhar criteriosamente para o consumismo desnecessário e estabelecer prioridades.
É, mas nos desapegamos apenas de coisas materiais?  E as lembranças de um passado triste? E as pessoas que nos machucaram? Experiências desagradáveis? É preciso ficar apenas com o aprendizado, deixar as mágoas para trás, apesar de não ser uma tarefa fácil.
Escrevo esse texto numa Sexta-Feira Santa e a data religiosa também me provoca pensar sobre o que realmente vale a pena. A Páscoa é o momento de escolhas para uma vida nova, para resgatar a esperança e acreditar de que tudo é possível, talvez seja um momento para rever as metas, mudar a rota e escolher novos caminhos, deixar para trás o que não serve mais.  Nunca é tarde!
Talvez possa valer a pena fazer um exercício diante de um objeto, uma roupa, um móvel, um livro…

– Realmente amo isso?
– A quanto tempo não o utilizo?
– Caso não tivesse, quanto pagaria por ele?
– Necessito mesmo?
– Pode ser útil a outra pessoa?
Que tal nos próximos 30 dias desapegar-se?  C

Comece com um objeto, dois, três… veja coisas possíveis: papéis velhos, roupas que enjoou, sapatos que ficaram muito tempo guardado, arquivos digitais que nunca usou, fotos repetidas, grupos e canais, deixar de seguir páginas que não te agregam, utensílios de cozinha, brinquedos excedentes, livros, revistas…
Bom, a mensagem é essa… a maturidade tem me feito pensar que preciso de menos bolsas mesmo e que as escolhidas devem ser pequenas para carregar apenas o que for necessário, o que valer a pena. É preciso deixá-la mais leve. E se for para ser grande que seja para carregar sonhos e o que for essencial para me fazer feliz.

“Para nós, que compreendemos o significado da vida,
os números não têm tanta importância”
                                 O Pequeno Príncipe

 

Foto: Otávio Bueno

Adriana Pereira Rosa Silva
Psicóloga Clínica, terapeuta infantil e familiar, pós-graduada pela PUCCAMP em Psicopedagogia, pós-graduada pela PUC/SP em Terapia Familiar e de Casal e graduada no curso de Neuropsicologia do Instituto de Neurologia do HC/USP.

 

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Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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