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Amor sem poesia

Gostaria de ser poeta e expressar em palavras o tanto de amor envolvido nessas datas

Escrever um artigo no mês de maio é um privilégio, época dos casamentos, dia da família, dia da coragem, dia das mães, dia nacional de combate ao abuso e exploração sexual da criança e adolescência e dia da luta antimanicomial.

Gostaria de ser poeta e expressar em palavras o tanto de amor envolvido nessas datas.
Sinto o amor como aquela água que jogamos em um vaso quando a terra está seca; como o alimento que se come com muita fome; como o beijo e abraço ao nos encontrarmos ou reencontrarmos com pessoas queridas; e como conforto ao nosso corpo e ao coração!

Proponho que cuidem do amor, não se deixem enrijecer, apesar de todas as dores e desafios. O distanciamento social é necessário, mas o amoroso não. Sempre serei a favor do respeito, da amorosidade, da alegria e da esperança. Esperança, do verbo esperançar, da atitude, da luta por dias melhores. Lembrem-se que a resiliência pode e deve ser desenvolvida.

O amor brota e nos aquece quando encontramos aquela conversa gostosa, aquele recadinho com coração, aquele ‘eu te amo’ de repente e, também, de muitas outras formas. Como estudiosa na arte do diálogo, proponho que você pergunte para os seus entes queridos de que forma você se sente mais amado, a partir de qual atitude, fala ou carinho?

Cada pessoa se abastece de amor de forma diferente, é verdade!

Tem pessoas mais visuais, outras gostam mais do toque, outras mais sensíveis à fala e existem aquelas que gostam de receber presentes.

Como saber?

“Quando a pergunta é valorizada
se descobre as respostas,
já pensou nisso?”

As perguntas são disparadoras para um bom diálogo e ajudam a descobrir como as pessoas a sua volta se sentem mais amadas, afinal, existe amor pelas pessoas nos mais variados relacionamentos como: cônjuges, filhos, familiares, amigos, colaboradores, alunos, pacientes e todos nós precisamos dessa fonte em nossos relacionamentos.

Exemplos de perguntas que podem ser feitas:
Quando foi a última vez que se sentiu realmente amado por mim?
De que forma gostaria que eu demonstrasse meu amor por você?
Você gosta quando eu falo ou faço…
Percebi que ficou chateado(a) quando…
Apesar de tantos anos juntos, ainda não entendi a maneira de que gosta que eu demonstre meu carinho por você?
A sua amizade é muito importante para mim, você gostaria que eu te telefonasse mais?
Podemos tomar café na mesma hora com uma ligação de vídeo, o que acha?
Como manter nossa amizade sem encontros presenciais?

Enfim, a curiosidade move a pergunta e vice e versa.
Gary Chapman, escritor e autor do livro ‘5 linguagens do amor’ traz a ideia da existência de uma espécie de tanque de amor emocional que precisa estar e ser abastecido. É comum a forma de comunicação entre as pessoas esvaziar esse tanque e isso pode destruir um casamento ou outros relacionamentos.

Convido você a pensar como abastece o seu tanque de amor e depois observar e verificar como as pessoas são diferentes, ou seja, sentem, pensam e necessitam de formas diferentes que a sua e tudo bem. É possível negociar, afinal ninguém é perfeito, apenas temos sensações e gostos diferentes.

Vivemos em um momento de instabilidade, relacionamentos líquidos, nos quais rapidamente se cancela uma pessoa da vida quando existe um conflito ou divergência de opinião, concordam?

Amar é uma atitude de coragem, inclui sentir-se vulnerável em meio a tantas incertezas da vida e nos relacionamentos. Contudo, é muito bom!

Tenho falado muito sobre esperança em dias melhores e te convido a colocar uma pitada, ou melhor, um punhado de amor em tudo que fizer, depois me conte se a vida ficou mais leve e feliz.

                                                                   “Quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém”
                                                                                                                                            Vinícius de Moraes


Abraço carinhoso,

Bibliografia:
Chapman, Gary. As 5 linguagens do amor. São Paulo: Mundo Cristão, 2013.

Foto: Otávio Bueno

Ana Lúcia da Costa Rafael – Coordenadora, é Psicóloga Clínica, terapeuta familiar, casal e individual. Especialista em Psicologia Clínica pelo CRP/SP, pós-graduada pela PUC/SP em terapia familiar, casal e individual. Ministra palestras e cursos para pais, educadores e psicólogos. Articuladora da APTF [Associação Paulista de Terapia]. Formada pelo Programa Internacional em Práticas Colaborativas e Dialógicas/Houston Galbeston Institute [Texas] e Taos Institute [Novo México].

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Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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