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Encorajando pais e filhos para uma relação mais afetiva, gentil e respeitosa

Qual pai ou mãe em nenhum momento se sentiu desencorajado na tarefa de educar seus filhos?

Qual pai ou mãe em nenhum momento se sentiu desencorajado na tarefa de educar seus filhos? Quantas vezes nos perguntamos se estamos no caminho certo, se nossas atitudes reforçam os valores que queremos transmitir as nossas crianças e adolescentes? Quem nunca perguntou o porquê dos mesmos não se comportarem como antigamente? Nos “bons e velhos tempos” os pais mandavam e os filhos prontamente obedeciam, por que isso não acontece agora?

Educar parecia mais fácil, não é?

Cientes dos inúmeros desafios e com muitas incertezas, tendemos buscar referências na educação tradicional, um modelo de submissão, obediência e autoritarismo; um jeito de educar vinculado a um sistema social e econômico da época, porém, muita coisa mudou e as grandes transformações que aconteceram na sociedade ao longo dos últimos anos podem explicar mais diretamente as diferenças das crianças de hoje. A geração do “eu falo e ponto final” já não existe mais.

Alguns aspectos, indiscutivelmente, devem ser mantidos ou resgatados pelas famílias, como por exemplo, o respeito, a necessidade da responsabilidade e da colaboração de todos nas atividades diárias. Os pais serão os líderes na vida de seus filhos até que eles possam se autoliderar e esse papel é importante porque os adultos possuem mais experiência, maturidade e habilidades que as crianças e adolescentes ainda não tem.

A liderança e a orientação por parte do adulto são atitudes indispensáveis e abrir mão dessa tarefa, responsabilidade e missão seria negligenciar nosso papel. O que precisamos é encontrar o limite entre a firmeza e a gentileza, compreendendo que crianças e adolescentes precisam ser tratados com dignidade e respeito.

“Há crenças que bons pais são aqueles que protegem seus filhos de toda e qualquer decepção,
agindo como super protetores, mas essa atitude também não permite a oportunidade
de desenvolverem a confiança e a capacidade de lidarem com situações adversas da vida”

Nelsen [2015] destaca: “crianças não desenvolvem responsabilidade quando os pais e professores são muito rígidos e controladores, mas também não se tornam responsáveis quando pais ou cuidadores são permissivos. Crianças adquirem responsabilidade quando têm a oportunidade de aprender habilidades sociais e de vida valiosas para desenvolver um bom caráter em um ambiente de gentileza, firmeza, dignidade e respeito”.

Assim, é importante que possamos oferecer as nossas crianças e adolescentes oportunidades para experienciar situações que se sintam encorajados, superando desafios e obtendo conquistas.

Ações como decidir juntos quais são as regras, as possíveis soluções para os problemas, envolve-las em tarefas colaborativas, não decidir ou prometer algo num momento de raiva, deixar para conversar depois, propor reuniões familiares, tentar compreender o que está por trás do mau comportamento, não entrar em disputa de poder, focar nos pontos fortes, ter uma comunicação clara, identificar quais as consequências naturais de determinadas atitudes… são algumas das ações que visam ajudar pais e filhos para uma conexão mais afetiva, gentil e respeitosa.

Claro que educar não é fácil! É uma tarefa que exige paciência, tolerância, repetição e porque não dizer até coragem, mas é preciso que acreditemos em nosso potencial, enquanto pais e também nos dos nossos filhos, compreender os erros como oportunidade para aprender e não deixar de buscar ajuda, afinal ser bons pais é uma tarefa que também pode ser aprendida.

Convido pais e familiares a se encorajarem para que juntos possamos ensinar nossas crianças e adolescentes princípios e habilidades valiosas, dando a oportunidade de se tornarem adultos responsáveis, de bom caráter e felizes.

“Se quisermos modificar alguma coisa, é pelas crianças que devemos começar. Devemos respeitar e educar nossas crianças para que o futuro das nações e do planeta seja digno”. Ayrton Senna”

Bibliografia
NELSEN,J.Disciplina positiva [tradução Bernadette P.Rodrigues e Samantha Schreier Susyn]. 3ª ed. Barueri,SP: Manole, 2015.

Foto: Otávio Bueno

Adriana Pereira Rosa Silva – CRP 06-76446
Psicóloga Clínica, Terapeuta Infantil e Familiar, Pós-Graduada pela Puccamp [Pontifícia Universidade Católica de Campinas] em Psicopedagogia, Pós-Graduada pela PUC/SP em Terapia Familiar e de Casal e Graduada no Curso de Neuropsicologia do Instituto de Neurologia do HC/USP.

 

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Clínica Bem Estar

A clínica Bem-Estar existe há mais de 20 anos e foi idealizada pelas psicólogas Silvia Gonçalves Compri e Irmã Lais Soares. Atualmente, a equipe é composta por quatro profissionais: Ana Lúcia da Costa Rafael, Adriana Pereira Rosa Silva, Flávia Lima Morgon e Patricia Galo Firmino. As psicólogas atendem crianças, adolescentes e adultos em sessões individuais, familiar e de casal, trabalhando na abordagem sistêmica, acreditando numa mudança paradigmática, onde os processos relacionais assumem significativa importância nos atendimentos e na evolução das pessoas que as procuram. Também ministram palestras, cursos para pais, professores e profissionais da área. Desenvolvem projetos sociais, consultoria e supervisões clínicas. A equipe tem como meta tornar-se um centro de referência em atendimento e formação na área da Psicologia.

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